sábado, 23 de janeiro de 2010

Encontro foi cancelado

Informamos aos admirados de Erico Verissimo que o Encontro que estava programado para o perído do carnaval foi cancelado por motivos superiores.

Saga


Por Marlo Renan
de Fortaleza-CE/Brasil

Hoje pela noite, eu finalizei a leitura do romance nacional Saga (1940), escrito pelo gaúcho Erico Lopes Verissimo durante o momento de eclosão da 2ª Guerra Mundial na Europa.
Saga é o livro que conclui o que o próprio autor denominou de Ciclo de Romances - que é o conjunto de seus seis romances urbanos ambientados em Porto Alegre, cujas histórias se entrelaçam, formando assim um tipo singular de trilogia.
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Sinopse: Nos campos de batalha da Guerra Civil Espanhola, Vasco Bruno presencia atrocidades de toda sorte. Quando volta a Porto Alegre, os horrores da batalha dão lugar às dificuldades cotidianas: em vez de fuzilamentos e bombardeios, os golpes baixos da sociedade burguesa. (...) Saga é um libelo humanista, um romance que denuncia a miséria social e ao mesmo tempo aponta uma luz de esperança em meio às nuvens escuras que chegam da Europa.
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Assim como aconteceu com os meus oito livros anteriores de Erico Verissimo, não me arrependi, de modo algum, de ter comprado este. Levei o único exemplar da livraria, quase que na impulsividade, mesmo lendo no prefácio que o autor considera Saga o seu pior romance (chamou-o inclusive de "monstro" e "medíocre"). Não me abalei com este julgamento e pensei: Um livro de Erico Verissimo falando sobre a guerra e sobre as torpezas do cotidiano não pode ser menos que interessante. Sem mais, irei levar.
E não me arrependi.
Posso dizer que o livro Saga (narrado em primeira pessoa por Vasco Bruno) é dividido em dois momentos muito distintos: o primeiro recebe o título de "O Círculo de Giz" e mostra as aventuras de Vasco durante a sua estada na Espanha, aventuras estas oriundas da sua decisão de entrar no exército da Brigada Internacional e lutar na Guerra Civil Espanhola; o segundo momento do livro intitula-se "O Destino Bate à Porta" e discorre sobre a volta de Vasco ao Brasil e a Porto Alegre, onde ele reencontra seus velhos amigos (Fernanda, Noel e a prima Clarissa) lutando pela sobrevivência cotidiana na cidade grande.
É interessante notar que todos os enredos dos romances anteriores de Erico convergem para este último: revemos Eugênio Fontes, de Olhai os Lírios do Campo; Chinita e Manuel Pedrosa, de Caminhos Cruzados; doutor Seixas, de Um Lugar ao Sol, e assim sucessivamente. Todas as tramas não-resolvidas dos livros anteriores têm a sua conclusão traçada em Saga. Só por isso, eu diria, o livro já vale a pena.
Apenas não entendi muito bem por que Erico Verissimo foi tão severo no seu julgamento quanto a este livro. É um romance absolutamente normal - ou melhor, "normal" em termos, porque o livro é maravilhoso, na minha opinião de fã. É um romance que pode muito bem ser acolhido com efusividade elogiosa pela crítica e pelo público. Por que então ser tão auto-crítico? Saga é um romance extraordinário! Não se deixem levar por comentários!
Como sempre, os personagens de Erico estão às voltas com questões existencialistas, sentindo-se deslocados em um mundo de tanta miséria moral e de tantas injustiças. Como conseqüência disso, temos diálogos belíssimos sobre viver uma vida justa e simples, sobre a doença mental da humanidade, sobre questionamentos de natureza ética e etc., sobre sonhos e amor ao próximo - isso tudo passando longe da pieguice, note-se bem. O autor é simplesmente especialista em diálogos, e, especialmente neste caso, nada deixa a desejar.
É com um prazer quase sobrenatural que eu leio essas passagens filosóficas de Erico. Chamo isso de "orgasmo literário". Por mais que o termo pareça chulo, não vejo outro que se aproxime mais do que se sente lendo essas páginas. O que dizer da conversa entre Vasco e o dr. Abel, em que este último explica por que o mundo está totalmente voltado para o consumismo imediato e frenético? O que dizer da filosofia maldita do dr. Seixas? Ou do altruísmo doloroso de Fernanda? Ou do mundo utópico de Noel? Nossa! São trechos que de fato tiram o fôlego de qualquer leitor apreciador da boa literatura.
Portanto, leiam Saga! É um livro excepcional, ainda mais se o leitor já tiver tido contato com os outros romances anteriores do Ciclo de Romances.
"Mais um do Erico Verissimo, heim?", disse-me Natália, minha amiga da universidade, ao ver debaixo de meu braço o volume Saga. "Qualquer dia desses você vai me emprestar os livros dele, todos de uma vez só".
"Com todo o prazer, ora", respondi. "Talvez assim você dê o braço a torcer."
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Abaixo, segue-se um dos trechos do livro que mais achei interessantes. Naturalmente não é o melhor de todos os trechos; selecionei-o por ser pequeno.
"Eu estive pensando numa coisa, Fernanda..."
"Sim?..."
"Em não voltar. Ficar junto da terra, numa vida mais simples..." Ela me olha com a testa franzida e eu prossigo. "Eu já lhe disse uma vez... Aquela aventura na Espanha serviu para que eu me conhecesse melhor, para que eu visse o que tenho de bom e de mau dentro de mim."
"E que é que isso tem a ver com a sua ida para a terra?"
"É que eu cheguei à compreensão de que a vida na cidade, com as suas complicações, faz que a todo momento esteja subindo à tona esse lodo que dorme no fundo de cada um de nós, ao passo que numa vida simples e natural eu poderei conservar em estado de pureza as qualidades boas que sinto existirem em mim."
Fernanda me escuta em silêncio. Entramos na rua da Independência. A garoa cessou. (...)

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Encontro de Admiradores de Erico Verissimo

PROGRAMAÇÃO- A SER CONFIRMADA PELO GRUPO MINIMO DE 40 PARTICIPANTES
CONFIRMAÇÃO ATÉ 20.01.2010
12/02/2010

- 22 H - ENCONTRO DO GRUPO NO AEROPORTO SALGADO FILHO PORTO ALEGRE COM CRACHAS DE IDENTIFICAÇÃO A SER DISTRIBUIDO ATÉ 01.02.2010
PERNOITE EM PORTO ALEGRE

13.02.2010- HORÁRIO A SER DEFINIDO COM A FAMILIA
VISITA A CASA DO ESCRITOR -PORTO ALEGRE
DESLOCAMENTO ATÉ AS RUÍNAS DE SÃO MIGUEL SHOW SOM E LUZES
23 H -PERNOITE EM CRUZ ALTA

14 /02/2010-DOMINGO-CRUZ ALTA

CAFÉ CAMPEIRO LOCAL A SER DEFINIDO
VISITA A CAPELA DO CADEADO ONDE FOI RODADO O FILME ANA TERRA
ALMOÇO NO CTG QUERENCIA DA SERRA-CRUZ ALTA
14H- VISITA AO MUSEU ERICO VERISSIMO-CRUZ ALTA
20 H- CARNAVAL DE RUA CRUZ ALTA(CAMAROTE)


15/02/2010-CRUZ ALTA

CAFÉ DA MANHÃ- HOTEL
PASSEIO AOS PONTOS TURISTICOS
DESLOCAMENTO A PORTO ALEGRE
20H JANTA NO CAIS DO PORTO

16/02/2010-PORTO ALEGRE
VOO AO SEUS LOCAIS DE DESTINO

Contato: Neolange Culau Brandão
E-mail: neo.lange@hotmail.com

O Tempo e o Vento

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Sobre Erico Verissimo


Érico Veríssimo foi um dos raros intelectuais brasileiros como senso da modernidade à flor da pele. Escritor profissional, atuou na indústria editorial, na imprensa, no agenciamento cultural, tanto no Brasil quanto no exterior. Percebeu, antes de muitos, os rumos da globalização na área da cultura, abrindo o Brasil à literatura estrangeira e difundindo a produção brasileira além fronteiras. Posicionou-se em palavras e atos diante das conturbadas relações nacionais e internacionais do século XX, sem temer represálias de regimes de força. Preocupo-se com o futuro do livro e da leitura, promovendo autores e público, por meio de sua atividade editorial e de sua obra.
Marta da Glória Bordini.

A capacidade de indignação
“Tenho medo de perder a capacidade de indignação e cair na aceitação, que é sempre perniciosa para a vida em sociedade. Não quero ser diferente. Dentro de mim ouço sempre meu grito de indignação. Quando choro pelo outro, sei que estou chorando por mim. Quando tenho receio pelo outro, tenho também por mim. Não sou santo, sou homem.”

ÉRICO E OS MODERNOS


“ Eu acompanhava de um modo um tanto precário o desenvolvimento da Semana de Arte Moderna, revolução literária e artística diante da qual me sentia ambivalente. [...] Duma coisa, porém, eu estava certo. Os jovens escritores e artistas que haviam organizado e animado a Semana de arte Moderna tinham razão quando protestavam contra a nossa excessiva dependência da França e de Portugal. [...] Tínhamos os olhos permanentemente voltados para o estrangeiro. Éramos europeus. Paris era nossa capital de espírito. Ninguém olhava para o Brasil. [...] Concordava com os Modernistas em que era preciso dinamizar a literatura [...], torná-la trepidante, rápida, ágil e irreverente como a idade do rádio, do avião que estávamos já vivendo naquele pós-guerra que produzia a ‘geração perdida’.”

REPERCUSSÃO INTERNACIONAL

“Quero falar aqui, nesta pequena louvação, da universalidade do grande romancista e grande homem de bem Érico Veríssimo, dizer de como a obra por ele criada atravessou as extensas fronteiras geográficas do Brasil e as difíceis fronteiras da língua portuguesa, ainda de tão fraco poder econômico, sem capacidade, por conseqüência, para obrigar a difusão daqueles escritores que a utilizam como instrumento de comunicação, daqueles que nela criam sua obra literária. [...] Escritor profundamente brasileiro, tratando dos problemas, da gente e da vida de uma região do Brasil das mais características e das mais importantes, o rio Grande do Sul, Érico Veríssimo, romancista da geração de 30, a grande geração da ficção brasileira, teria de fatalmente de interessar aos tradutores e às editoras estrangeiras.”
Jorge Amado, 1972.


Extraído do site: http://www.ericoverissimo.com.br/portal/view.php?busca=9